DCE e Reitoria debatem crise orçamentária e o futuro da assistência estudantil na UFPB

O DCE e a Reitoria da UFPB reuniram-se para debater o impacto do corte de R$ 14,3 milhões e a necessidade de R$ 12 milhões adicionais para cobrir a assistência estudantil. 

Por: Amanda Barboza, Diretora Geral de Cultura, esportes e eventos - DCE/UFPB - João Pessoa/PB. 

12/02/2026  - última atualização  em 22/02/2026 às 12:54h. 


Nesta quarta-feira (09), a nova gestão do Diretório Central dos Estudantes a Integra DCE se reuniu com a Reitoria da UFPB, com a Pró-Reitoria de Assistência e Promoção ao Estudante (PRAPE), com a Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento (PROPLAN) e com a Superintendência de Restaurantes Universitários (SRU) para tratar da fragilidade financeira causados pelos cortes orçamentários. 

Uma das pautas mais debatidas na reunião foi o detalhamento do recente corte de R$14,3 milhões, imposto pela Junta de Execução Orçamentária (JEO) do Governo Federal, divulgado pela Reitoria no Instagram da Universidade no dia 20 de janeiro de 2026. A administração explicou que este cancelamento de verbas ocorreu de forma externa ao Ministério da Educação, forçando a Reitora, Terezinha Domiciano, uma mobilização política em Brasília para garantir uma promessa de restituição desses valores. Segundo os gestores, esse montante é vital apenas para manter a universidade operando dentro da normalidade, uma vez que o aumento nos custos de contratos terceirizados, impulsionado por reajustes salariais da categoria (de 51 milhões para 57 milhões de reais), sem a contratação de novas pessoas, consumiu uma fatia desproporcional do orçamento planejado para este ano. 

A realidade da assistência estudantil foi apresentada com dados que revelam um abismo entre o recurso disponível e a necessidade real dos estudantes. Com um dos perfis discentes de maior vulnerabilidade social entre as federais brasileiras, a UFPB enfrenta a insuficiência crônica dos recursos da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). Foi revelado que, para contemplar todos os alunos que hoje aguardam em listas de espera por auxílios e bolsas, seriam necessários ao menos R$12 milhões adicionais no orçamento. Para evitar o colapso do sistema de permanência, a universidade tem recorrido a remanejamentos internos emergenciais, redirecionando economias geradas em contas de consumo e verbas de manutenção predial para assegurar que os pagamentos dos estudantes assistidos não sofram interrupções, priorizando a alimentação e a moradia como pilares de sobrevivência acadêmica. 

O DCE também questionou sobre a falta do edital unificado para auxílios estudantis no período 2025.2, que foi respondido pela Pró-reitora da PRAPE, Georgia Macedo: 

“Historicamente, a assistência estudantil sempre trabalhou com muitos editais de seleção. Durante um período, o estudante participava de dois, três editais de processo seletivo. Ai a gestão tem como dificuldade atender a demanda de tais listas de espera, e ao mesmo tempo a gente tem uma realidade de muitos estudantes que estão chegando à universidade que não tem perspectivas de acesso aos auxílios. Inclusive, até o ano de 2024, a gente tinha um quantitativo muito alto de estudantes que entravam no apoio emergencial, justamente porque os editais demoravam cerca de 4 meses para sair o resultado. Aí os estudantes ficaram sem alimentação, sem moradia, colocando-os em muita vulnerabilidade. No ano passado, a gente usou a estratégia de fazer editais de processos seletivos simplificados e apenas um edital geral, que seria o unificado. Por quê? Porque a UFPB ainda não tem um cadastro da assistência estudantil, que seria uma medida mais adequada, a gente ainda tem que lançar processos seletivos simplificados. A Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) também está tentando nos ajudar nesse processo, para a gente desenvolver sistemas que facilitem a vida do estudante. Mas a gente tem um histórico de um estudante, por exemplo, que se inscrevia em cinco editais de processo seletivo para tentar conseguir uma bolsa. Isso é frustrante para o estudante, coloca ele em uma vulnerabilidade muito maior. E a estratégia que nós adotamos agora foi trabalhar com as listas de espera dos editais que a gente já tinha em andamento. E para os que estavam chegando, a gente abriu o processo seletivo simplificado. E isso teve um resultado positivo porque a gente teve justamente essa diminuição da demanda do apoio emergencial.”