História do DCE da UFPB
O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal da Paraíba, o DCE da UFPB, nasce de uma tradição mais ampla do movimento estudantil brasileiro, que entende a universidade como um bem público e os estudantes como parte ativa da vida institucional. Essa linhagem aparece já na criação da União Nacional dos Estudantes em 11 de agosto de 1937, quando a organização estudantil passa a se afirmar como voz coletiva na defesa da educação, da democracia e de direitos sociais (Memórias Reveladas, 2023).
Do ponto de vista jurídico, essa ideia de representação se consolida com a Lei nº 7.395, de 31 de outubro de 1985, que reconhece formalmente que os DCEs são entidades representativas do conjunto dos estudantes de cada instituição de ensino superior e garante também o direito de organização em centros e diretórios acadêmicos (Presidência da República, 1985).
Na UFPB, a história do DCE precisa ser lida junto com a própria história da universidade. A instituição foi criada em 2 de dezembro de 1955 e federalizada em 13 de dezembro de 1960, desenvolvendo ao longo do tempo uma característica marcante: a estrutura multicampi, que sempre exigiu esforços de articulação para que a vida estudantil não se fragmentasse por centro, cidade ou campus (UFPB, 2025).
Como em muitas universidades brasileiras, a trajetória do DCE atravessou períodos de forte restrição política durante a ditadura militar, especialmente após o Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968 (Presidência da República, 1968). Na UFPB, pesquisas acadêmicas registram que, em determinados momentos, o DCE existia mais como estrutura administrada e controlada, com limitações à escolha direta de representantes, chegando a haver composição indicada pela reitoria, o que esvaziava a autonomia estudantil (Nunes, 2015).
Um marco simbólico dessa retomada de autonomia aparece em 1976, quando grupos estudantis reorganizam a representação e disputam espaços a partir das bases, em um contexto ainda duro de repressão. Registros jornalísticos e memórias do período relatam que a mobilização daquele ciclo abriu caminho para ampliar a participação estudantil e, em 1977, avançar para eleições diretas em instâncias representativas, com protagonismo de lideranças que marcaram essa reconstrução (Correio Braziliense, 2017; Botelho, 2025).
Da redemocratização em diante, o DCE passa a se firmar como ponte entre cotidiano e projeto de universidade: defesa de permanência estudantil, orçamento, transporte, assistência, inclusão e condições reais para estudar. Essa função aparece também na prática institucional de representação em espaços de decisão, como conselhos superiores, e na atuação pública em temas que atravessam a vida da comunidade universitária (Brasil de Fato, 2025).
Hoje, o DCE da UFPB segue como uma memória viva e uma ferramenta de organização coletiva: muda de gestão, muda de pauta, muda de linguagem, mas preserva um núcleo filosófico que atravessa gerações, a ideia de que democracia se aprende exercendo, e que universidade pública se sustenta com participação. Registros institucionais mostram esse ciclo permanente de renovação por meio de eleições e posses de diretoria, com composição envolvendo estudantes dos diferentes campi (UFPB, 2015).